caoscromático
enlaço meu
vazio
abraço o braço que me
fere
e deixo sangrar
meu íntimo lateja
uma dor tão pura
que se dissolve em
lantejoulas e
purpurina
terça-feira, 29 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
inês é morta
seu riso
me tira o
ar
seu riso me
esfacela
seu riso
sorriso doce
me foge
me rompe
me fere
inunda todos os poréns
quebra as janelas
estilhaça as minhas xícaras de porcelana
arrebenta com todo
o
meu
eu
... quase como um tiro.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
...
transbordando versos
de cores púrpura
e rosas no cabelo
Desintimando o mais íntimo de mim
num gesto dócil e
doce
de pureza implacável
E eu te deixo
entrar
rimar
minhas palavras sempre tão cheias
de Outonos e folhas
caídas.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
insomnia
Porque quando eu me lembro de você a boca se enche de ternura e silenciosa melancolia. Porque quando você me vem é sempre de ponta cabeça, de braços abertos e com um sorriso absurdo estampado no rosto. Porque quando você aparece sempre me deixa com gosto de girassóis e macadâmias e chocolate amargo. Porque quando eu te olho de costas parece que todo o branco do mundo vira azul-marinho e os olhos se inundam de uma preguiça gigante. Porque quando eu te deixo ir minhas mãos tremem como árvore em vendaval e me dá uma vontade imensa de ler V. de Moraes. Porque quando eu finalmente pego no sono o relógio já está todo esbaforido digerindo os minutos, as horas que roubou noite passada.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
semnome
como raios
pela pele calejada
saltitando olhares
borbulhando as mais doces
lembranças
Suas poucas palavras
- dirigidas a mim? –
cravejaram os olhos inertes
numa fragrância dourada
e pura
e deliciosamente
ensandecida
suas palavras tão belas
tocaram a ponta dos dedos
e se fizeram em
loucas tantas outras mil
palavras.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
25 agosto 2011
me faço espelho:
reflito o quarto
vazio
reflexo austero
do oco de tudo
do soco do
mundo
reflexão mesquinha
espelho, pedaços de espelho
estilhaçados no chão
e só me resta
dormir.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
mimetismo: amor
despetalar petulante
você me alcança
você me invade
você mil tormentos
você mil verdades
você milhares
desabrochar ingênuo:
você me rebate
desajeitar-sem-jeito:
você me arde
desfigurar os fatos
e remontar os retratos
e re re reciclar antigos
fardos
você me deságua
você me desanda
você me você
- e eu quase não respiro...
domingo, 3 de julho de 2011
breve breve brisa
Sinto o corpo leve leve leve.
Que roupa é essa
- de seda pura -
a dançar comigo
lenta e amarguradamente
pelos espaços cor-de-rosa?
Levito como pluma
na brisa inebriante.
Que roupa é essa
a mergulhar na pele
e se sentir tão doce?
- São teus olhos de carmim.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Derrama sobre mim esses teus olhos líquidos, te quero assim esparso, derramado, desarmado... Vem, deixa eu te sentir, deixa eu te entender, deixa eu te criar. Chega mais perto, não seja bobo, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada, já disse Caio F. Você pousa em mim tão leve, tão doce, tão suave: como é gostoso gostar de você, como é bom te querer. Me encharca com esse charme só seu, me anoitece para que assim possamos virar qualquer coisa assim louca, qualquer coisa assim: toques, beijos, perfumes. Percorre teus olhos sobre mim, me ajeita do teu jeito mais bonito, me estremece: te deixo. Chega e habita esse espaço não-colonizado: ele é só seu só seu só seu. Me dá a mão, segura meus braços, me leva com você. Quero te enxergar, não apenas ver. Te fazer me enxergar. Me deixa... Quero te versar, te cantar, te declamar. Despeja sobre mim seus olhos de girassol. Não fuja, não se assuste, é só carinho...
quarta-feira, 1 de junho de 2011
carta pra você
Esquece esquece esquece daquilo que te fere, dos punhos que te empunham, das mãos geladas que te acariciam a face. Carece, mas carece bem dentro, daquele sentimento estúpido, daquela falta boa, daqueles dias em que o som do nosso riso era maior e mais alto que toda essa poluição sonora. Eu te careço. Eu não te esqueço. Te lembro ao olhar a neblina crua e branda que pousa por toda a cidade, fazendo o maior sossego, deixando tudo assim tão úmido. E bonito. E ah, eu me lembro, como eu me lembro dos seus traços tão fortes, e ao mesmo tempo tão suaves, da sua beleza tão singela... é, singela. Aquela beleza que nasce de dentro, sabe? E não vai embora. Aquela beleza que cresce junto com a gente, no mais profundo dos olhos. Ah, como você era bonito! Queria ter te escrito antes, ter te encontrado antes, te falado todas as mil coisas bonitas que brotavam de mim quando a gente se tocava. A gente tinha uma espécie de ritual maluco, lembra? Nossos corpos tinham total sintonia, sincronia, e parecia que a gente deslizava pelo mundo. E como as pessoas tinham inveja de tudo aquilo, daquela felicidade que faz doer os ossos. Te lembro tanto, que chego a quase esquecer. Queria ter racionalizado tudo isso antes, mas acho que quando a gente entra nesse estado de letargia fica difícil compreender o rumo das coisas, você entende? Eu não imaginava que tudo aquilo iria se tornar isso. Que a neblina tão bonita me ia congelar a carne. Mas eu me perdôo: é preciso sempre respeitar o tempo das coisas... eu só queria, só queria mesmo era ter tido coragem para te escrever antes...
segunda-feira, 30 de maio de 2011
grito o grito (relatos de uma segunda-feira insossa)
Respiro pausadamente. Sinto uma vontade tímida e espalhafatosa perto do estômago. Pequenas pontadas, pequenas agulhadas que vão ferindo lentamente a carne. Desconforto. Formigamento. Um desassossego que não nomeio, não decodifico: sinto apenas. E ele cresce, e aumenta, e agora queima. Me faço em versos de carne viva: arranco a pele afim de exaurir-me da dor. E nada cessa. Me atiro para fora de mim-mesma: órgãos, vísceras, essência. E nada cessa. Me viro do avesso, me transponho para o outro lado, mas tudo o que ainda sou acaba por crepitar: incêndio sinuoso. E nada cessa. A sensação me sobe pela garganta e desemboca nas cordas vocais: é um grito extenso, longo, longínquo: o grito daqueles que se quebram como cacos-de-vidro. E ele dança dentro da minha boca, faz malabarismos, brinca como criança. Mas eu o engulo forçosamente, o empurro de volta ao profundo do corpo. Tento fazer sufocar o grito que me emudece. Mas ele não cessa. Ele dilata e ocupa todos os mínimos espaços dos dedos, e quebra as unhas, e rasga a pele, e se torna extensão de mim-mesma. Cria feridas, machuca, jorra sangue. O grito não cessa: cedo: solto, relaxo, viro mar. E grito:
sexta-feira, 27 de maio de 2011
dezesseis de agosto
Esse amor-gozo que explode de dentro de mim,
Jorrando todos esses olhares, todos esses braços e pernas e desejos.
Esse amor-estupro que viola minha pele,
Que rasga minha boca, que me arrebenta sem permissão.
Esse amor-gemido que entontece: vibra: freme
Pulula por todos os meus poros
- Te acarinho e te machuco: te quero
domingo, 15 de maio de 2011
Sou ser pulsante: pensante: erro. Fadado sempre ao sempre. Penso que um amor tão puro como este que vibra forte no peito não haveria de doer tanto. São tantos tantos. Desliza, derrapa e acaba por fixar-se no meu imaterial tão congelado no tempo. Chega de impulsos subjetivos. Sou ser errante: avanço no meu tempo diretamente para o seu espaço. Não recorro mais aos seus olhares: findo por mim mesmo o aqui e agora, numa sincronia perfeita com todas as mentiras que saem pela ponta dos dedos. Verdades que se entregam testa por testa. Quase-verdades que se esticam. Quase-mentiras-verdades que somem junto com meus dias sempre iguais. Sempre à espreita de alguma doença, alguma paixão. Sou ser navegante. Sou ser flutuante. Sou ser: vou ver: fui.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Vamos quebrar as paredes lapidadas de tantos brutos amores; irromper das raízes o caule, o caldo de todos esses meses. Frágeis sombras que deslizam pelos olhos:
Sou.
Vou sendo.
Indo.
Acabo por me dilatar. Vamos arrancar do peito essa náusea cansada. Vamos colocar, calcular as medidas mais diversas dessa doçura em forma de sentimento: sempre tão amargo. Vamos arrematar das testas todas as tolas mentiras. Vamos. Vamos. Vamos?
Sou-me.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
07 Janeiro 2011
alinho o corpo
endireito a cabeça
re-vivo a vida:
e é só suspiro
suspiro
suspense
você.
endireito a cabeça
re-vivo a vida:
e é só suspiro
suspiro
suspense
você.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
19 Dezembro 2010
Incertezas: minha voz canta silenciosos compassos de dor. A mente brinca: o corpo mente: tenta mentir. Movimentos desvairados à procura de significação. Te acolho. Te abrigo. Te quero: fecho os olhos. Olhos que não me deixam fechar: fechadura dura a irromper meu hermetismo sufocante. Vou aos poucos cancelando esse frio na barriga, essa vontade, esse desejo. Vou lentamente cerrando as portas, as janelas, a ilusão suave: me embala numa melodia delirante: falta de ar. Juro que tentei: não dá: tudo mentira.
-Adeus.
09 Agosto 2010
Esse arfar do peito cansado: queima queima arde, por sobre os dedos. Chama quente dentro dessas cinzas cansadas. Amor de pedra dentro do corpo inerte. Amor ardor amor quente amor tontura. A explodir em frangalhos. Chamuscar sem nunca virar incêndio. Essa bomba-relógio guardada no meio das vísceras: queima queima arde: rasgando as pálpebras: derretendo todos os fios: quebra quebra esfatifa: dói. Amor em brasa. Amor cigarro: queima queima arde. Machucando. Devotado. Fracasso. Vem. Vai. Nunca não para. Essa náusea. É tanto sentir. Violar. Viola sem cordas. Violão sem música. É o canto, o grito mudo: queima queima arde. Vontade: Refúgio: Afogado. No meio da brasa queima: queima queima arde. Mãos, braços, relógio. Suspiro........................................................ linha de fogo a irromper o vazio: e queima queima apaga.
...
- Tenho um segredo: te guardo dentro de mim. Te sufoco e te esmago. Te aperto e não te deixo fugir. Te aprisiono e não te falo: à ninguém revelo meu segredo. Te quero te quero te quero: vem me abrir como primavera.
19 Outubro 2010
Reinvento os dias: venta bem dentro: ausência tua a descompassar todos os ritmos de todas as melodias. Recolho os mínimos fragmentos, cheiro teu cheiro multicolor, multifacetado. Recolho-me pequena, olhos fechados, coração apertado: ausência tua a fazer chover no meu jardim dourado. Finco todas as minhas raízes na intenção de chegar ao fundo e fim da tua falta. Murmuro borboletas desvairadas: dói dói dói: ninguém compreende. Sacudo, mexo, remexo. Ligo o rádio, nada me interessa. Ligo a TV, nada me prende. Abro o livro, nada me chama: só você só você só você. Vou deitando, aconchegando, afundando nos lençóis do nosso amor: você não chega. Grito grito grito: despedaço os pratos, os vasos, os copos, o corpo: você não vêm: ausência tua a corromper meus lábios de girassol: essência gotejando no pranto oceânico: e você não aparece ece ece me esquece.
20 Setembro 2010
Abrevia. Embala. Ritma. É breve breve breve. Um sussurro. Um sorriso. Uma melodia. Cabelos cabelos mãos. Espiral: me devora. Me come viva. É breve breve breve. Mar inalcansável. Mar perto. Mar dentro de mim. Pulula dos olhos: apaixonante. É bobo, carência, afeto. Toque: breve breve breve. Oscilando tendências: coração apertado: palpitação: dói. Sentir sentir: sentido. Onda leve. Breve breve breve. Ai de mim! Olhos em margem: freqüência explícita: abismo: não dói. Breve breve brisa.
21 Dezembro 2010
Olhos versados que percorrem labirintos: versos que se entreolham, perdendo a magnitude cósmica com que analiso meu inferno. Raios de luz começam a ofuscar a cidade que crio. Raios quentes a me fazer enxergar: ilusão. Procuro abrigo, mas já é tarde demais: meus olhos cheios de versos e meus versos tão à flor da pele recaem sobre a minha cabeça: é preciso abrir: acordar: desfazer: viver enfim.
23 Dezembro 2010
Sonhei com você. E no meu sonho a gente era tão lindo. E tudo dava tão certo. Queria ter continuado naquele dia: naquele amor: naqueles braços: naquele sonho. Mas acabou.
25 Dezembro 2010
Meus amores fugidios:
Despedaçam-se na feliz insegurança
Não marca:
Não fica:
Nem liga:
Meus amores fugidios.
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