Reinvento os dias: venta bem dentro: ausência tua a descompassar todos os ritmos de todas as melodias. Recolho os mínimos fragmentos, cheiro teu cheiro multicolor, multifacetado. Recolho-me pequena, olhos fechados, coração apertado: ausência tua a fazer chover no meu jardim dourado. Finco todas as minhas raízes na intenção de chegar ao fundo e fim da tua falta. Murmuro borboletas desvairadas: dói dói dói: ninguém compreende. Sacudo, mexo, remexo. Ligo o rádio, nada me interessa. Ligo a TV, nada me prende. Abro o livro, nada me chama: só você só você só você. Vou deitando, aconchegando, afundando nos lençóis do nosso amor: você não chega. Grito grito grito: despedaço os pratos, os vasos, os copos, o corpo: você não vêm: ausência tua a corromper meus lábios de girassol: essência gotejando no pranto oceânico: e você não aparece ece ece me esquece.
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