quarta-feira, 11 de setembro de 2013


Bastava uma só sigla para que qualquer ordem desabasse no ar vomitando segredos entranhados no fundo dos olhos... não poderia hesitar, a música tocava clara como canção de ninar: bastaria que se fechasse os olhos e irromperia vísceras já tão cansadas de esperas por toda parte. Seria gosto de noite enfumaçada e não sairia pelas tangentes. ASSIM SERIA: já não se pode ser mais porque as esperas todas viraram destino
- e os ossos quebrariam com toques de almofada
esperava mas sabia que a espera já tinha acabado com todo e qualquer naufrágio e não haveria volta nem voltas nem retorno algum. Era um tal de resignar-se que faria jorrar alguns pertences... queria ser mas o ser estava despedaçado perdido em todas as partes da cidade. Não poderia mais (((suspiro))) e o pensamento confuso orquestrando órgãos difusos difundindo memórias regurgitando facadas sem nem mais desespero


ERA ASSIM: continuar a ser porque era um imenso nãotersido

segunda-feira, 22 de julho de 2013


Demoraria séculos até perder-se em si desejos incomensuráveis de satisfazer coisa qualquer sem nome sem cara sem nada dentro do peito esparso. Viraria três luas ao contrário e rezaria superfícies cravadas de gelo: era, sem hesitar, palavra que jorrava lancinantes unhas quebradas e dedos esfolados de asfalto. Colocava a cabeça para fora de todas as janelas, e os ventos todos cortavam-lhe os olhos: era paisagem turva na beira de abismo incolor, e desejaria três, quatro, cinco vezes o transbordar atordoante que não viria. E esperava, porque esperar sempre lhe trouxe mistérios e planetas -mesmo que ilhas desertas.

quarta-feira, 10 de julho de 2013


Antes que sangre o dia apreenderia prazeres indissipáveis: porque era dessas que carregavam asas e troféus não importa por onde, e limpava com tamanha delicadeza alguns cortes e chãos. Lustrava – ou ilustrava- feridas mortas por capelas altíssimas e fazia voar ventos arrebatadores... saberia, ao raiar de qualquer coisa, que o importante era sempre entrega, não importa o quanto doesse, entende? Iria fazer versos  celebrando abismos multicoloridos, mas preferiu ventoinha de fumaça baloiçando ao pé da cama: estirada e extensa por sobre todo o movediço espaço, conseguiria quebrar algemas e irromper buracos ocos em cavidades absurdas. Mas que se sabe sobre? Era apenas faísca abandonada no chão: celebraria incêndios ou feridas?

terça-feira, 25 de junho de 2013


Reciclar antigos fardos é tarefa árdua que dispende métodos arriscados – riscaria as velhas páginas se o que me consome não fosse essa massa de ar esticado naufragando volúpias. Era de se esperar que chegássemos a este ponto: os olhares conseguiriam irromper de abismos flutuantes e chacoalhariam úlceras adormecidas. - mas o que nos resta, ou sempre restou, são essas migalhas quebradiças em forma de flor: se, colocadas na boca, ganhariam tempos e espaços diversos, mas preferem voar pra longe de glotes estranhas e se arremessar diretamente para o fundo da lixeira mais próxima.

segunda-feira, 24 de junho de 2013


era um pêndulo esticado no abismomorte de qualquer
coisa assim que se fizesse re-generada
matéria explicita que não se continha sem talvez nem querer
era forma suave que guardava espasmos cortantes
falta forma exponencial que não sabia sorrir
nos ventres todos de todas as mães habitavam seres alados que
se disporiam um a um como anjos indomáveis e certeiros
sabia que do ventre seu só sairiam fumaças assustadoras e
rosas ressecadas por livros
era vontade de se chocar inteira contra precipícios iluminados e fazer
doer as vertebras como cada cão sem dono perdido na rua
mas faltavam os ossos, entende?
faltavam os fios de navalha que assobiavam pelos canteiros de
margaridas renascidas das trevas

era espera
(e nada mais)

domingo, 23 de junho de 2013


As veias desgarram-se de qualquer compromisso. São céus pretos outrora amarelos, vermelhos, azuis.... qualquer coisa assim, que faça sentido mesmo sem fazer, para que se perpetue o caos, o cais, uma cara amassada de travesseiro. Era bonito, era forte, era vil, e nem viu uma, duas, três vozes singelas chamando em algum lugar ermo e sem tempestades. E por falar em tempestade –em copo d`água, ou copo de mar, ou piscina de plástico – fazia furacões no meio da testa dilacerada de tanto sentir. Sapomeva sentia sem saber explicar e algo lhe doía no meio do corpo de banho fresco: seriam as lacerações do pós-noite? Ia tentar explicar com mil palavras confusas códigos despenteados grudados em gravata rosa. Era um coincidir sem consciência que afetava até o mais gordo dos homens. Queria copo –de qualquer coisa, - e um adeus rasgando a pele fina.