é pra você que escrevo em mais uma forma inútil de criar um diálogo, de obter respostas, de ter sua atenção. você me afasta tão severamente, não me deixa espaço nenhum no seu mundo e o que eu mais queria era entrar. meu corpo inteiro dói, num espasmo de melancolia, como num gozo ao avesso, me arrancando qualquer raiz. meu corpo inteiro se contrai e dói. por você. eu só queria te gritar verdades nos ouvidos e te segurar com força e te desmanchar nos braços. mas você vai embora. sempre. você vai embora antes mesmo d’eu chegar. você me dá silêncios suntuosos e eu só posso criar mudas melodias com suas imensas falas sem palavras, a estilhaçar os ouvidos, a fazer doer sem nenhuma dó. te dou todas as minhas palavras mais bonitas: você foi embora. e agora o que devo fazer com todos estes versos que te escrevi?