Reciclar antigos fardos é tarefa árdua que dispende métodos
arriscados – riscaria as velhas páginas se o que me consome não fosse essa
massa de ar esticado naufragando volúpias. Era de se esperar que chegássemos a
este ponto: os olhares conseguiriam irromper de abismos flutuantes e
chacoalhariam úlceras adormecidas. - mas o que nos resta, ou sempre restou, são
essas migalhas quebradiças em forma de flor: se, colocadas na boca, ganhariam
tempos e espaços diversos, mas preferem voar pra longe de glotes estranhas e se
arremessar diretamente para o fundo da lixeira mais próxima.
terça-feira, 25 de junho de 2013
segunda-feira, 24 de junho de 2013
era um pêndulo esticado no abismomorte de qualquer
coisa assim que se fizesse re-generada
matéria explicita que não se continha sem talvez nem querer
era forma suave que guardava espasmos cortantes
falta forma exponencial que não sabia sorrir
nos ventres todos de todas as mães habitavam seres alados que
se disporiam um a um como anjos indomáveis e certeiros
sabia que do ventre seu só sairiam fumaças assustadoras e
rosas ressecadas por livros
era vontade de se chocar inteira contra precipícios
iluminados e fazer
doer as vertebras como cada cão sem dono perdido na rua
mas faltavam os ossos, entende?
faltavam os fios de navalha que assobiavam pelos canteiros
de
margaridas renascidas das trevas
era espera
(e nada mais)
domingo, 23 de junho de 2013
As veias desgarram-se de qualquer compromisso. São céus
pretos outrora amarelos, vermelhos, azuis.... qualquer coisa assim, que faça
sentido mesmo sem fazer, para que se perpetue o caos, o cais, uma cara amassada
de travesseiro. Era bonito, era forte, era vil, e nem viu uma, duas, três vozes
singelas chamando em algum lugar ermo e sem tempestades. E por falar em
tempestade –em copo d`água, ou copo de mar, ou piscina de plástico – fazia furacões
no meio da testa dilacerada de tanto sentir. Sapomeva sentia sem saber explicar
e algo lhe doía no meio do corpo de banho fresco: seriam as lacerações do
pós-noite? Ia tentar explicar com mil palavras confusas códigos despenteados
grudados em gravata rosa. Era um coincidir sem consciência que afetava até o
mais gordo dos homens. Queria copo –de qualquer coisa, - e um adeus rasgando a
pele fina.
sábado, 15 de junho de 2013
Por sobre as pedras do abismo-primeiro cruzei os braços:
pareciam-me que restavam canções de fel e medo, e eretas
estávamos a esperar sobre os escombros. Era tarde delirante
e enfadonha – só pude dormir depois da chuva
(e uma relva de majestosos vagalumes a se dissipar pelo
cimento.)
Pedra estática e irrisória a destenebrar acasos- dor.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
pedras rangiam no asfaltodor e a enxurrada de abismos fazia-se
certeira
era catarata da alma que não deixava crescer flor nem brotar
águas desmaiadas por entre os rios todos
era chiclete de menta colado na sola do sapato e
bestificados
estávamos enquanto o labirinto não se encerrasse
era qualquer coisa assim sem nenhuma importância mas que
fazia jorrar células de sangue por entre os olhos
retirava as tripas enlameadas com mãos de beija-flor e
deixava
conter no espaço vasto de um beijo o vazio inteiro de areias
movediças
quando se provam arestas cortantes o vicio grita dentro do
peito
qual dor assim masoquista por excelência conseguiria
silenciar o som dos teus sorrisos todos? Era feto infecundo afogado em página
qualquer
e voltaria, qualquer dia desses, se não fosse a chuva
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Eis que quanto mais afundamos, mais procuramos enlouquecidos
por qualquer porto que reste. A falta me cabe como um punhal atravessado na garganta.
Os nós dilaceram –e eu nem sei se foram vividos de fato. E pra falar dos fatos
todos eles são para mim uma confusão sem tamanho que se emaranha num bocado de
tentativas de apreensão. Devaneio e nem sei até que ponto conseguirei
desafundar esse navio já naufragado na mente. Sairei da cadeira, da cabeceira
dos apaixonados e despertarei num chão rasgado e fétido, podre e alameado com frações
de segundo densos de tardes mal pesadas? A realidade me dói somente porque sei
o quanto ela me doeria se a permitisse. Fico a vagar vaga pelas frestas dos
acontecimentos e me desconheço com conhecimento tão grande de mim mesma a ponto
de não conseguir extrair conhecimento algum de momento nenhum de coisa nada. Irrisível
distração que se fomenta toda no instante em que se perde: seríamos nós
destinados as faculdades qualitativas dos instantes de degustação? Queria um
copo de mar, mas acontece que não sei voar.
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