quarta-feira, 28 de setembro de 2011

...



você me vem como primavera
transbordando versos
de cores púrpura
e rosas no cabelo
Desintimando o mais íntimo de mim
num gesto dócil e
doce
de pureza implacável
E eu te deixo
entrar
rimar
minhas palavras sempre tão cheias
de Outonos e folhas
caídas.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

insomnia

Porque quando eu me lembro de você a boca se enche de ternura e silenciosa melancolia. Porque quando você me vem é sempre de ponta cabeça, de braços abertos e com um sorriso absurdo estampado no rosto. Porque quando você aparece sempre me deixa com gosto de girassóis e macadâmias e chocolate amargo. Porque quando eu te olho de costas parece que todo o branco do mundo vira azul-marinho e os olhos se inundam de uma preguiça gigante. Porque quando eu te deixo ir minhas mãos tremem como árvore em vendaval e me dá uma vontade imensa de ler V. de Moraes. Porque quando eu finalmente pego no sono o relógio já está todo esbaforido digerindo os minutos, as horas que roubou noite passada.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

semnome

suas palavras entraram
como raios
pela pele calejada
saltitando olhares
borbulhando as mais doces
lembranças
Suas poucas palavras
- dirigidas a mim? –
cravejaram os olhos inertes
numa fragrância dourada
e pura
e deliciosamente
ensandecida
suas palavras tão belas
tocaram a ponta dos dedos
e se fizeram em
loucas tantas outras mil
palavras.