domingo, 18 de novembro de 2012

vontades que se entreolham:
minh’alma grita
- descompassos -
e ecoa pelo espaço que nos cabe
- saber-se findo o fim:
a amenizar essas colonizações
já não me basto:
cansei do meu sentir sem sentido
me desquadro afim de te compreender:
me desenquadro num rompante de
elucidações que não decifram:
cansei de sentir-me

 

- é sempre esse engasgar de gargantas
desenfreado

sábado, 13 de outubro de 2012

ser vento breve
a congelar os poros:
a velha mesma melodia
incessante
que grita e não
abafa
escorregar, deslizar, se fazer
trama leve
que embriaga os fios
e que vira nós:
ser angústia crescente
dentro do peito
inerte:
velar a chama
sem nunca deixar
- incêndio

cessar o toque
transfigurar:
quase como um
vômito
que sobe às narinas e
me faz perder


(xícaras de porcelana estilhaçadas pelo chão)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

entre quatro paredes


Desnuda: quebro o vazio que irrompe dos olhos: amasso, encharco, chafurdo. Vou fundindo minhas arestas: nossas arestas cheias de tantas banalidades miseráveis. Todos nus: nus como minhocas. Vou fazendo-me escada: edifício galopante: vertigem sem nem os olhos piscar. Eclode como música: somos todos espelhos: dispersos: disfunção. Remodelo a linha, recrio o triângulo, refaço meus olhos cansados de ver. E tudo, tudo. Claridade doentia: o inferno são os outros: o inferno somos nós: eu sou meu inferno.

segunda-feira, 23 de julho de 2012


fazer sufocar olhares
criar perfeita abstração
corpofragmento
que desliza por todos os poros
irradiando crueldade
cruelbeleza de quem se tem
sem nunca ter

sido
e desvencilhar frases ao contrário
num processo desvairado:
absorver
repelir
se deixar outrar
músculo por vértebra
e cair no abismo das

palavras

segunda-feira, 2 de julho de 2012

.


você me vem
pergunta implacável
porque tão inconstante?
porque tão assim
sem nexo
sem jeito
sem nem querer
ser?
você me aparece
quase em sonho
a cada mil horas
de desjejum
desabitando o mais
lapidado de mim-mesma
tudo ao contrário
queria se fazer vontade
e permanecer por séculos
mas eu sempre tão
as vezes

voa mais rápido

quinta-feira, 31 de maio de 2012

mensagem

Vontades estridentes que escorrem por entre as mãos
Fazer abordar
Queria ser sorriso agudo que irrompe da testa
Mania louca de tecer sem fios
Era sempre aquele ismo
Maré carregando segredos
Queria ser ouvido e se fazer
lançar
Sentir tremer o chão
ser ser SER
Escutar todos esses mimetismos
E fazer melodia de gestos
Onde nossos corpos irrompem
se fundem
se findam: instantes milhares
Se fazer brisa leve e sentir nas pálpebras
o coração acelerar
Ciranda alucinada de entre-olhares
Queria ser céu
E acabar
mar

domingo, 27 de maio de 2012

Como contornar esse espaço lúcido de luzes que se embaralham e fazem cansar? Sentir oscilar na mente pequenos tormentos em forma de coisas... coisas que não explico, vai além da minha capacidade. Fazer trucidar. Chegar no ponto de partida. Pequenas ilusões. Tomar o rumo da vida que nem sequer é minha. Fazer desembaraçar o caos, quase como soltar um nó. Ou uma pipa. Deixar ser fio. Deixar rolar. Subir. Não-se-estilhaçar. Pequenos cortes que fazem doer, doer uma dor tão profunda que se arquiva quase que na memória. Estômago cheio de lamúrias e poesia. E se colocar para fora signifique perder tudo? Quero pelo menos escolha. Quero pelo menos, escolha... Deixar o pó ser simplesmente o pó, e nada mais. Fundir aço e ferro. Me queimar para não acabar queimada. Consegue fazer sentido? Alusões inúteis. Português correto só faz rodeios. Viver é mais que só pedaços. Precisa de terra firme, flor que brote.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

seramante sererrante

coisifico
te
caosifico
me
todo esse ritmo desenfreado
plurifica
nos palavras cruéis
e gestosnada
nada mais para
- ser
nada mais para
- nunca
nada mais para

e dói dói dói


sábado, 4 de fevereiro de 2012

desabafo [com falta de ar]


é pra você que escrevo em mais uma forma inútil de criar um diálogo, de obter respostas, de ter sua atenção. você me afasta tão severamente, não me deixa espaço nenhum no seu mundo e o que eu mais queria era entrar. meu corpo inteiro dói, num espasmo de melancolia, como num gozo ao avesso, me arrancando qualquer raiz. meu corpo inteiro se contrai e dói. por você. eu só queria te gritar verdades nos ouvidos e te segurar com força e te desmanchar nos braços. mas você vai embora. sempre. você vai embora antes mesmo d’eu chegar. você me dá silêncios suntuosos e eu só posso criar mudas melodias com suas imensas falas sem palavras, a estilhaçar os ouvidos, a fazer doer sem nenhuma dó. te dou todas as minhas palavras mais bonitas: você foi embora. e agora o que devo fazer com todos estes versos que te escrevi?