Demoraria séculos até perder-se em si desejos incomensuráveis
de satisfazer coisa qualquer sem nome sem cara sem nada dentro do peito
esparso. Viraria três luas ao contrário e rezaria superfícies cravadas de gelo:
era, sem hesitar, palavra que jorrava lancinantes unhas quebradas e dedos
esfolados de asfalto. Colocava a cabeça para fora de todas as janelas, e os
ventos todos cortavam-lhe os olhos: era paisagem turva na beira de abismo incolor,
e desejaria três, quatro, cinco vezes o transbordar atordoante que não viria. E
esperava, porque esperar sempre lhe trouxe mistérios e planetas -mesmo que
ilhas desertas.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Antes que sangre o dia apreenderia prazeres indissipáveis:
porque era dessas que carregavam asas e troféus não importa por onde, e limpava
com tamanha delicadeza alguns cortes e chãos. Lustrava – ou ilustrava- feridas
mortas por capelas altíssimas e fazia voar ventos arrebatadores... saberia, ao
raiar de qualquer coisa, que o importante era sempre entrega, não importa o
quanto doesse, entende? Iria fazer versos
celebrando abismos multicoloridos, mas preferiu ventoinha de fumaça
baloiçando ao pé da cama: estirada e extensa por sobre todo o movediço espaço,
conseguiria quebrar algemas e irromper buracos ocos em cavidades absurdas. Mas que
se sabe sobre? Era apenas faísca abandonada no chão: celebraria incêndios ou
feridas?
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