segunda-feira, 22 de julho de 2013


Demoraria séculos até perder-se em si desejos incomensuráveis de satisfazer coisa qualquer sem nome sem cara sem nada dentro do peito esparso. Viraria três luas ao contrário e rezaria superfícies cravadas de gelo: era, sem hesitar, palavra que jorrava lancinantes unhas quebradas e dedos esfolados de asfalto. Colocava a cabeça para fora de todas as janelas, e os ventos todos cortavam-lhe os olhos: era paisagem turva na beira de abismo incolor, e desejaria três, quatro, cinco vezes o transbordar atordoante que não viria. E esperava, porque esperar sempre lhe trouxe mistérios e planetas -mesmo que ilhas desertas.

quarta-feira, 10 de julho de 2013


Antes que sangre o dia apreenderia prazeres indissipáveis: porque era dessas que carregavam asas e troféus não importa por onde, e limpava com tamanha delicadeza alguns cortes e chãos. Lustrava – ou ilustrava- feridas mortas por capelas altíssimas e fazia voar ventos arrebatadores... saberia, ao raiar de qualquer coisa, que o importante era sempre entrega, não importa o quanto doesse, entende? Iria fazer versos  celebrando abismos multicoloridos, mas preferiu ventoinha de fumaça baloiçando ao pé da cama: estirada e extensa por sobre todo o movediço espaço, conseguiria quebrar algemas e irromper buracos ocos em cavidades absurdas. Mas que se sabe sobre? Era apenas faísca abandonada no chão: celebraria incêndios ou feridas?