sexta-feira, 3 de junho de 2011

Derrama sobre mim esses teus olhos líquidos, te quero assim esparso, derramado, desarmado...  Vem, deixa eu te sentir, deixa eu te entender, deixa eu te criar. Chega mais perto, não seja bobo, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada, já disse Caio F. Você pousa em mim tão leve, tão doce, tão suave: como é gostoso gostar de você, como é bom te querer. Me encharca com esse charme só seu, me anoitece para que assim possamos virar qualquer coisa assim louca, qualquer coisa assim: toques, beijos, perfumes. Percorre teus olhos sobre mim, me ajeita do teu jeito mais bonito, me estremece: te deixo. Chega e habita esse espaço não-colonizado: ele é só seu só seu só seu. Me dá a mão, segura meus braços, me leva com você. Quero te enxergar, não apenas ver. Te fazer me enxergar. Me deixa... Quero te versar, te cantar, te declamar. Despeja sobre mim seus olhos de girassol. Não fuja, não se assuste, é só carinho...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

carta pra você

Esquece esquece esquece daquilo que te fere, dos punhos que te empunham, das mãos geladas que te acariciam a face. Carece, mas carece bem dentro, daquele sentimento estúpido, daquela falta boa, daqueles dias em que o som do nosso riso era maior e mais alto que toda essa poluição sonora. Eu te careço. Eu não te esqueço. Te lembro ao olhar a neblina crua e branda que pousa por toda a cidade, fazendo o maior sossego, deixando tudo assim tão úmido. E bonito. E ah, eu me lembro, como eu me lembro dos seus traços tão fortes, e ao mesmo tempo tão suaves, da sua beleza tão singela... é, singela. Aquela beleza que nasce de dentro, sabe? E não vai embora. Aquela beleza que cresce junto com a gente, no mais profundo dos olhos. Ah, como você era bonito! Queria ter te escrito antes, ter te encontrado antes, te falado todas as mil coisas bonitas que brotavam de mim quando a gente se tocava. A gente tinha uma espécie de ritual maluco, lembra? Nossos corpos tinham total sintonia, sincronia, e parecia que a gente deslizava pelo mundo. E como as pessoas tinham inveja de tudo aquilo, daquela felicidade que faz doer os ossos. Te lembro tanto, que chego a quase esquecer. Queria ter racionalizado tudo isso antes, mas acho que quando a gente entra nesse estado de letargia fica difícil compreender o rumo das coisas, você entende? Eu não imaginava que tudo aquilo iria se tornar isso. Que a neblina tão bonita me ia congelar a carne. Mas eu me perdôo: é preciso sempre respeitar o tempo das coisas... eu só queria, só queria mesmo era ter tido coragem para te escrever antes...