domingo, 28 de abril de 2013


Olha, pra te dizer sobre as linhas eu precisaria de um espaço infinito de emoções esquartejadas: pra prender o sorriso num suspiro só e deixar desanuviar, como quem canta uma canção sem medo das palavras saírem do eixo certo, sem pretensão nenhuma de fazer transbordar: por que, no final do dia, eu só poderia mesmo, e sem nenhum tormento, te encarar como quem lê um livro: as linhas nem sempre se fazem entender, é preciso tempo, sempre tempo, e esse relógio que habita minhas vísceras mais íntimas se emaranhou de ternuras e palavras extensas, densas... se perdeu –ou prendeu- o espaço mórbido que não decifro, e já anda atrasado.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

me rasgo num pedaço vazio
dilacero, rompo, quebro
me preencho de ventos e ar
entranhas soltas
me vento, me vasto, me voo

solo

sábado, 13 de abril de 2013


Dor que dilacera sorrindo. Traz no peito sempre aberto facas e gemidos, frio e um bocado de quentura. É na dor que se encontram. Pontadas na barriga: o caos ia enaltecendo aqueles corpos tão disformes. Feridas frescas ainda sangram ao pé da mesa, e não nos cabe fazer nada. Porque o doer dilacera, sufoca, grita dentro do ventre: esbraveja como um condenado. Levaria meses para concluir aquele quadro. Depois, só se permitiria um único suspiro. Com flores no cabelo, voltaria a dançar. 



O sabor dos teus olhos
Não lembrava
O calor dos sorrisos
Não aquecia
O vil da tua mesquinhez
Ainda machucava
Mas sabia, ou precisava
- com desespero- saber
Que as voltas sempre se completam
E que o sol vinha trazendo
Chegando
Enternecendo