Olha, pra te dizer sobre as linhas eu precisaria de um
espaço infinito de emoções esquartejadas: pra prender o sorriso num suspiro só
e deixar desanuviar, como quem canta uma canção sem medo das palavras saírem do
eixo certo, sem pretensão nenhuma de fazer transbordar: por que, no final do
dia, eu só poderia mesmo, e sem nenhum tormento, te encarar como quem lê um
livro: as linhas nem sempre se fazem entender, é preciso tempo, sempre tempo, e
esse relógio que habita minhas vísceras mais íntimas se emaranhou de ternuras e
palavras extensas, densas... se perdeu –ou prendeu- o espaço mórbido que não
decifro, e já anda atrasado.
domingo, 28 de abril de 2013
quarta-feira, 17 de abril de 2013
sábado, 13 de abril de 2013
Dor que dilacera sorrindo. Traz no peito sempre aberto facas
e gemidos, frio e um bocado de quentura. É na dor que se encontram. Pontadas na
barriga: o caos ia enaltecendo aqueles corpos tão disformes. Feridas frescas
ainda sangram ao pé da mesa, e não nos cabe fazer nada. Porque o doer dilacera,
sufoca, grita dentro do ventre: esbraveja como um condenado. Levaria meses para
concluir aquele quadro. Depois, só se permitiria um único suspiro. Com flores
no cabelo, voltaria a dançar.
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