É pra lembrar das linhas que escrevo como quem tem fome. Você:
receptáculo destas contradições todas que não esperam. Acarinho da mesma forma
que machuco, e isto me é quase insuportável. Precisaria de tempo, tempos
diversos pra quantificar esta falta toda... mas o tempo foi inventado pra que
se devore, pra que se passe sem pressa, pra que não se note. Olho o calendário
como quem reza um terço: dia após dia depois daquelas tardes em que o ventre
cessou. Sementes mal plantadas se afogam na chaleira esquecida em meio a livros
e versos de espera. Queria copos com flores e garrafas de papel bem branco:
fazer voar os nós de todas as pilastras e encerrar o tempo como quem canta: mas
os olhos já pesam cem silêncios ensurdecedores. (((Seus olhos levaram meus
silêncios para além mar e não posso, nem quero, nem consigo abrir a porta e
caminhar sem destinos. )))Onde foi que a espera virou verso? Onde foi que o
tempo não deu conta das mil palavras todas? Melodia cruel que desvanece dos
meus tempos para teus espaços... mas que grande mentira!
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