Atenção: é de exímia importância que leias sem interrupções:
a palavra carece no peito como um moribundo... tens entranhas mais suaves que
anjos ao nascer da primavera: as flores todas já estão estancadas numa
prateleira de esquina enquanto me esquivo aflita das contradições de maio. É
num relance de aconchego que me posto a olhar pela fresta da porta. Já não
chegas e as estações todas se encontram desgovernadas: é sempre necessário que
se sangre, que se doe, que se deixe. O ritmo alucinado que embala os véus e
grinaldas destrambelha e corre: lança suave ardor de fruta esquecida. Tenho só
algumas poucas palavras que poderia dedicar a ti, mas o lance é outro, o jogo
perfura paredes irrisórias e se deixa abater: vagando pela sala invento mil
dialetos: ternura explícita de quem não se tem, nem se possui... Saio deste
vendaval que não acalenta e preciso que prestes atenção: virará, dentre páginas
mal dormidas, palavras dentro do poemamor que escrevo sem nem pestanejar,
virará, dia-sim-dia-não parte desta farsa toda que se cerca. E não podes dizer
que não avisei...
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