O ruído desavisado debaixo da cama entontece teus mistérios:
fazer rimar as peles como quem canta canções de natal. A linguagem se faz pouca
quando o momento não vem – são dois devires que silenciam quando a noite
amedronta. União de gestos que preenchem do meu vazio ao teu espaço. Folhagem absurda
inunda o sorriso com que seguro as mãos: são belos os encontros que atravessam
a espinha. Vertigem de se ser quem ainda não se é: continuamente florescendo
entre travesseiros e frases interrompidas – mas é rompante que faz gargalhar os
olhos, afrouxar a nuca extensa. O tempo se despedaça a reconstituir altares:
pra quem se parte o instante é bruto, pra quem se chega o momento sufoca:
permanece. E faz cantar dos dedos qualquer coisa que valha – só se vale aquele
que se faz ficar. Então, atrapalha os gestos e rodopia pelo tecido emaranhado
da saia – a saída é só recomeço. Invade os vértices como quem toma uma limonada
em dia de verão: CHEGA! E não se deixa chegar jamais: PARTE! E colore os
instantes com sons nascidos do útero. O processo entontece os dedos: é um
punhado de quentura a brotar das raízes austeras – per ma ne ce e faz do teu
chão algum tipo de lar. Bota teu umbigo na minha orelha e brota: só se rima
quem consente, só se abre quem não se fecha: fenece os ares arredios pra deixar
o carmim pulular da pele – o instante é ser abrasivo: deixa que queime – o incêndio
de peles faz bem à saúde.
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