sábado, 31 de outubro de 2015


O ruído desavisado debaixo da cama entontece teus mistérios: fazer rimar as peles como quem canta canções de natal. A linguagem se faz pouca quando o momento não vem – são dois devires que silenciam quando a noite amedronta. União de gestos que preenchem do meu vazio ao teu espaço. Folhagem absurda inunda o sorriso com que seguro as mãos: são belos os encontros que atravessam a espinha. Vertigem de se ser quem ainda não se é: continuamente florescendo entre travesseiros e frases interrompidas – mas é rompante que faz gargalhar os olhos, afrouxar a nuca extensa. O tempo se despedaça a reconstituir altares: pra quem se parte o instante é bruto, pra quem se chega o momento sufoca: permanece. E faz cantar dos dedos qualquer coisa que valha – só se vale aquele que se faz ficar. Então, atrapalha os gestos e rodopia pelo tecido emaranhado da saia – a saída é só recomeço. Invade os vértices como quem toma uma limonada em dia de verão: CHEGA! E não se deixa chegar jamais: PARTE! E colore os instantes com sons nascidos do útero. O processo entontece os dedos: é um punhado de quentura a brotar das raízes austeras – per ma ne ce e faz do teu chão algum tipo de lar. Bota teu umbigo na minha orelha e brota: só se rima quem consente, só se abre quem não se fecha: fenece os ares arredios pra deixar o carmim pulular da pele – o instante é ser abrasivo: deixa que queime – o incêndio de peles faz bem à saúde.

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