domingo, 12 de outubro de 2014

eis que se decreta o tempo das efervescências inúteis: calado como bosque na contramão inebriante teu riso colidiu com meu penar.  bastaria uma só nota para que o sol se pusesse em peito aberto - feito aqueles quadros antigos que não se encontram em museus. ritmo desacelerado de quem só se quer contando verdades, mas as verdades não existem nesse pomar enegrecido. gosto de beijo amargo oscilando na nuca: teu cocar mórbido não colide com a feitura desses gestos todos. será a vã agonia de quem nunca sabe tocar no fundo do oco? desmembra madrugadas como quem não consente: é medo é medo é medo - sussurram ao pé do ouvidolento (e medo só fatiga fatia de queijo sem goiabada) fez serenata louca na cabeceira encharcada de cerveja barata: deixa arranhar as costas quem não se ameaça pelo escuro: meu escuro todo vai devorar essa sua prece i-di-ota. já nem sei mais escrever: aquele punhal de prata atravessou a garganta endiabrada e soltou mugidos estranhos: esse meu escuro vai abocanhar teus brancos ingênuos até fechar a porta: aí o tempo será de margaridas no cabelo e lamentações baratas. parte como quem chega: o tempo é de melancolia.

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